quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Grupo 11-Gênero Social



"Estupra ela para ela saber o que é ser encoxada de verdade". Jovem de 17 anos sofre abuso coletivo após reclamar de encoxador no metrô. Grupo de pessoas ficou ao lado do agressor, enquanto outra testemunha ajudou a vítima.
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De acordo com um relato publicado nas redes sociais, a jovem teria pedido para o agressor parar de encoxá-la, quando ele iniciou uma discussão. Foi então que uma terceira pessoa teria gritado: “Estupra ela para ela saber o que é ser encoxada de verdade”. Então o suspeito e outro homem teriam agarrado no braço da vítima embalados pelos gritos de um grupo de pessoas que dizia: “Estupra, estupra”.
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A testemunha ajudou a vítima a sair do vagão e, junto com ela, procurou os funcionários do Metrô para pedir ajuda. Foi quando os funcionários teriam dito que nada poderia ser feito e que a jovem era a única que poderia depor, que o depoimento da testemunha não seria considerado. Acontece que, segundo o relato, a vítima estava em choque e em prantos, totalmente sem condições de falar.

A vítima então ligou para parentes e a testemunha aguardou a chegada deles para seguir viagem.
O namorado da vítima também está em contato com o Metrô para conseguir explicações.

Metrô diz que não encontrou imagens do abuso

A assessoria de imprensa do Metrô afirmou que analisou as imagens da estação Bresser/Mooca e da SSO (Sala de Supervisão Operacional) da estação, mas não encontrou a cena onde a vítima e a jovem que a ajudou aparecem.
informações de R7 e O Tempo.



09/09/2015 11h58 - Atualizado em 09/09/2015 14h17

Servidores da Câmara fazem protesto contra regras sobre vestimenta

Com cartazes, mulheres questionam veto a determinados tipos de trajes.
Proposta prevê proibição a saias curtas, chapéus e decotes acentuados.

Isabella CalzolariDo G1 DF
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Servidoras da Câmara dos Deputados fizeram um ato na manhã desta quarta-feira (9) no hall da taquigrafia da Casa em protesto contra as regras de vestimenta que estão sendo analisadas pela Mesa Diretora. O protesto ganhou a adesão de servidores que também seriam afetados pelas regras, caso elas sejam implementadas.
Áurea Silva, servidora da Câmara

Entre as propostas em discussão está o veto ao uso de saias acima do joelho ou roupas com decotes acentuados, por exemplo. Para os homens, passaria a ser barrado o uso de camisetas de time futebol e de chapéus. O uso de tênis estaria liberado apenas para quem trabalha muito tempo em pé e, ainda assim, sem cores "berrantes".

A ideia de se criar um "código de vestimenta" foi da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). "A mudança é para preservar o decoro, respeito e austeridade do Poder Legislativo", disse a parlamentar à TV Globo. Não há data para que as propostas sejam aprovadas ou rejeitadas.

As mulheres fizeram a manifestação cobertas por um lenço na cabeça e homens colocaram chapéus. As servidora entoaram em coro frases como "mais ética, menos estética" e "cuide do seu decoro que eu cuido do meu decote".
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Ativistas durante protesto na Câmara dos Deputados (Foto: Isabella Calzolari/G1)

Grupo - 9 Orientais

                                                                                                

Cultura Chinesa está presente na vida dos brasileiros
Relações internacionais

Elementos da cultura oriental podem ser percebidos nas artes, arquitetura, gastronomia, festividades e agora influenciam também a medicina.



por Portal Brasil Publicado: 17/07/2014


Dança Leão é uma forma de cultura chinesa 

Um está localizado no hemisfério oriental, tem um sistema socialista em seu governo e é o quarto maior país do mundo. O outro se encontra no ocidente, tem uma forte estrutura federativa e é o quinto maior país do planeta. Apesar das grandes diferenças políticas e culturais, além da distância geográfica entre China e Brasil, os contatos entre os dois povos já contam com uma longa tradição.Desde o início do Século XIX, agricultores chineses de chá já atravessavam os vastos oceanos para chegar ao Brasil. Eles estabeleceram uma sólida amizade com o povo local, marcando o início dos contatos amistosos entre as duas civilizações.

O Brasil tem um grande poder de absorção cultural e sempre houve algo de oriental contrastando com suas características ocidentais. Não é difícil notar os elementos culturais da China em diversos aspectos da cultura e na vida dos brasileiros.


Arquitetura

Na arquitetura brasileira, a influência chinesa se revela de várias maneiras. Segundo o estudo do professor José Roberto Teixeira Leite, a influência chinesa existe tanto no desenho ornamental como no estilo exterior de algumas construções. Algumas construções são "edificadas sobre plataformas de pedra, técnica comum na China desde tempos imemorais."

A Igreja Nossa Senhora do Ó, em Sabará (MG), construída em 1717, uma das mais representativas do barroco mineiro, possui influência chinesa em sua arquitetura externa e na decoração interna.

Artes marciais

A arte marcial Tai Chi Chuan já virou uma moda no Brasil. Hoje em dia, a prática é muito comum e pode ser encontrada em academias, centros de terapias chinesas, e alguns professores também costumam dar aulas ao ar livre. No início de 2007, a manifestação cultural popular de Tai Chi Chuan na Praça da Harmonia Universal, na Asa Norte de Brasília, praticada há mais de 30 anos sob a orientação do Mestre Woo, foi declarada patrimônio cultural de Brasília e incluída no calendário de eventos oficiais do Distrito Federal. 

Ano Novo chinês

A celebração do Ano Novo Chinês na Praça da Liberdade em São Paulo já se tornou um evento cultural importante e entrou no calendário oficial da cidade de São Paulo. Todos os anos, centenas de milhares de pessoas - entre eles muitos brasileiros - participam do evento, que inclui atrações musicais, exposições de arte, apresentações de artes marciais e dança, além de festivais gastronômicos.

“Essa festa simboliza toda a bagagem cultural chinesa e a divulga ao ocidente. Na festa temos diferentes manifestações artísticas, que traduzem festa e alegria sempre com a intenção de comemorar e reverenciar a colheita e a fartura, agradecendo aos elementos e aos deuses”, define Selma Sakate, diretora da Academia 7 Esferas do Tao.

Cultura Brasileira na China

O Brasil era praticamente desconhecido na China até poucas décadas atrás, quando os dois países começaram a se aproximar de forma mais efetiva. O registro mais antigo nos livros chineses sobre o Brasil data da dinastia Qing (1964-1911), num livro medicinal. Segundo esse registro, o Brasil era um lugar maravilhoso, terra fértil, cheio de animais e aves exóticas.

A novela Escrava Isaura, protagonizada pela Lucélia Santos e uma turnê da dupla caipira Milionário e José Rico, que em 1986 cantou para um público de 80 milhões de chineses, deram à China uma primeira oportunidade de conhecer um pouco melhor o Brasil.

Desde esse "surto brasileiro" na China, um grande número de autores brasileiros foram traduzidos para chinês. Entre as obras de maior sucesso estão "os Sertões", de Euclides da Cunha; " A Escrava Isaura", de Bernardo Guimarães; "A Trilogia de Ilusão Desvanecida" e "Dom Casmurro", de Machado de Assis; "Vidas Secas" de Graciliano Ramos; "Incidente em Antares", de Érico Veríssimo; "O Silêncio da Confissão", de Joseu Montello; e "Norte das Águas", de José Sarney. Jorge Amado é o escritor brasileiro mais conhecido na China, com 13 obras publicadas em mandarim.

Todos os anos, grupos brasileiros de samba fazem apresentações em quatro cantos da China e já se pode ouvir MPB em muitos bares das grandes cidades. As churrascarias brasileiras também se espalharam por muitas cidades chinesas, se transformando em uma moda na gastronomia local. 

Mas, sem dúvida, é o futebol que continua sendo o maior meio de divulgação da imagem do Brasil na China. Pelé, Zico, Falcão, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho e Kaká são conhecidos por quase todos os chineses e não poucos jogadores brasileiros atuando no Campeonato Chinês de Futebol.


Eventos culturais

Os dois governos estão desempenhando um papel muito importante na promoção de intercâmbio cultural entre os dois países. Em 1985, foi assinado o Acordo de Cooperação Cultural e Educacional entre o Governo da República Popular da China e o Governo da República Federativa do Brasil. A partir daí, foram assinados vários programas executivas entre os dois governos, que garantiram o intercâmbio cultural regular.

Nos últimos anos, tiveram lugar na China o Festival de Filmes do Brasil, a Exposição de Arte Indígena e várias exposições de artistas plásticos brasileiros. Em 2007, o grupo de Samba de Roda de Recôncavo de Bahia marcou presença no Festival Internacional de Patrimônios Imateriais de Chengdu da China e caiu no gosto dos chineses. Foi realizado o evento Foco no Brasil no âmbito do Festival Internacional de Filmes de Xangai.

Ao mesmo tempo, cada vez mais manifestações culturais chinesas estão sendo levadas ao conhecimento do público brasileiro. Ópera de Pequim, acrobacia e danças chinesas são bem apreciadas por brasileiros.

A exposição de "Guerreiros de Terracota", realizada em São Paulo, em 2003, foi visitada por mais de 800 mil pessoas, tornado-se uma das exposições mais visitadas no Brasil.


Educação

Na área de Educação, foi assinado um convênio de cooperação entre os dois Ministérios da Educação, no qual está prevista a troca de bolsistas. Muitos estudantes brasileiros estão escolhendo a China como destino de estudo e vice-versa.

Medicina chinesa

Na medicina, a acupuntura, técnica praticada há mais de quatro mil anos na China, é cada vez mais aceita e utilizada no Brasil para tratar doenças diversas e vem se expandindo como prática alternativa ou medicina complementar em clínicas particulares e serviços públicos de saúde. Em algumas universidades brasileiras, são ministrados cursos superiores de acupuntura, em nível de Pós-Graduação, para profissionais de saúde.



Fonte:





Branquidade

 SÓ PORQUE EU SOU BRANQUINHA: DISPUTAS REPRESENTACIONAIS DA IDENTIDADE NACIONAL NO CASO DO CASAL DA COPA 2014
Erly Guedes Barbosa         


Resumo

Este artigo analisa a disputa pelo controle representacional do Brasil por meio de discursos midiáticos no episódio do ‘casal da Copa’, como ficou conhecido o caso de suposta substituição da dupla de artistas negros Camila Pitanga e Lázaro Ramos pelos artistas brancos Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert no posto de mestres de cerimônia do evento de Sorteio de Chaves da Copa 2014. Os antecedentes do episódio, textos de especialistas e jornalistas, e declarações dos artistas envolvidos são analisados à luz dos estudos culturais. Nas ficções surgidas no debate público, branquitude e mestiçagem emergem como noções agenciadas nos embates pelo controle representacional do país e da construção de sua identidade social.

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domingo, 20 de setembro de 2015

Grupo 1 - Imigrantes Haitianos

Haitianos no Brasil fazem webserie para combater preconceito

Projeto quer mostrar aos brasileiros as dificuldades que os haitianos enfrentam os quando chegam no país   


São Paulo – Imigrantes haitianos, em São Paulo, estão produzindo uma websérie para contar aos brasileiros as dificuldades que enfrentam por aqui. O projeto Superação é uma forma de buscar integração e combater o preconceito. O primeiro episódio da websérie, que foi lançando na semana passada, é uma parceria entre a associação Comunidade Haitianos no Brasil e as secretarias de Cultura e Direitos Humanos de Santo André.
Um casal de haitianos recém-chegados a Santo André, na grande São Paulo, passa por crises e superações no novo país. O roteiro é uma ficção, mas poderia ser a história real da chegada ao Brasil de muitos imigrantes haitianos, conta o jornalista Pierre Montalais, um dos idealizadores do projeto e ator de primeira viagem.
"Não só a integração dos haitianos aqui é difícil. A vida é difícil. Com esse projeto, posso compartilhar minha cultura", relata Pierre.
O diretor Cristiano Roppa conta que até os nomes dos personagens principais, Papouch e Miselene, foram tirados de listas de imigrantes haitianos que chegam ao Brasil. "Quando Pierre propôs para a gente, trouxe muitas das vivências que ele já teve, as dificuldades e tudo o mais. Nós colocamos esses elementos todos no argumento da série. Ela tem um lado fictício e tem um lado muito realista."
O projeto quer auxiliar na integração dos haitianos, aqui no Brasil, e também registrar o início da imigração na cidade. Um dos objetivos é que a série faça parte do acervo da prefeitura, disponível para as escolas do município, e também da Cinemateca Brasileira.
Os haitianos reclamam que a comunidade ainda é invisível nas mídias, a não ser quando acontecem casos policiais. Por isso, os vídeos também têm a intenção de quebrar preconceitos. "Tem haitianos aqui que tem talento, que tem capacidade intelectual. Pensam que todos os haitianos que vêm para o Brasil só trabalham na construção, na limpeza. Têm haitianos que fizeram faculdades, como vocês. Têm engenheiros, médicos, jornalistas, tem de tudo, aqui no Brasil", diz Pierre.
"Se a gente conhecer um pouquinho mais da história deles, conhecer um pouquinho mais da cultura, das dificuldades que passaram, no Haiti, a gente vai entender um pouco mais, abrir mais o coração, e recebe-los com muito amor", Loide Almeida, produtora.
Confira a reportagem de Jô Miyagui para o Seu Jornal, da TVT:


sábado, 19 de setembro de 2015

Grupo 6- Gênero no Ambiente Escolar





Questão de gênero

Rosa para meninas, azul para meninos Não mais!Rever velhos estereótipos e preconceitos desde a infância é a saída para um mundo mais igualitário
BRUNA NICOLIELO

Meninas brincam de boneca e casi­nha, meninos de carrinho e super--heróis. Elas são delicadas, eles mais agitados. Garotas têm facili­dade em leitura, garotos em mate­mática. Em casa e na escola, mui­tas situações aparentemente comuns reproduzem concepções de género preestabelecidas e quase sempre equivocadas. "Esses padrões, de uma época em que a principal função da mulher era ter filhos, foram sendo internalizados através dos tempos e ain­da hoje persistem, apesar das conquistas femininas", aponta Teresa Creusa Negreiros, professora da Ponti­fícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.
Ao longo do século 20, ganhamos o direito ao vo­to, ingressamos no mercado de trabalho, fomos à universidade, adiamos a maternidade e comparti­lhamos os gastos com a manutenção da casa. As re­lações entre os sexos continuam se transformando hoje, 38,7% dos lares são chefiados por mulhe segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Esta­tística (IBGE). Tudo isso embaralhou os papéis tra­dicionais. "Atualmente, há uma linha muito ténue sobre o que é ser homem e o que é ser mulher, além de uma série de atitudes e necessidades que des­montam as características de cada género", diz a psicóloga Maria Helena Vilela, diretora executiva do Instituto Kaplan, em São Paulo.
Com tantas mudanças, por que ainda existem comportamentos considerados femininos ou mascu­linos? Por que até mesmo a forma de brincar repro­duz velhos estereótipos? "Perpetuar essas diferenças limita o processo de aprendizado, tolhe oportunida­des para ambos os sexos e incentiva futuros precon­ceitos", explica Constantina-Xavier, professora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e coordenadora do grupo de trabalho sobre género da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação. Para alguém que passou a infância aprendendo que só menina brinca de casinha, fica mais fácil se tornar um adulto que acredita que as tarefas domésticas são estritamente femininas, por exemplo. "Vemos implicações disso na vida de muitas mulheres que não contam com a ajuda do parceiro para cuidar dos filhos e da casa", aponta Carolina Fa­ria Alvarenga, professora da Universidade Federal de Lavras, ela própria mãe de um menino que gosta de bonecas (veja a história dele e de outras crianças nos quadros). "Ao fazer isso, os garotos aprendem a culti­var relações de cuidado, afeto è respeito", defende a antropóloga Michele Escoura, que pesquisou corno.as noções de género são construídas em crianças de 5 anos de escolas públicas e particulares do interior de São Paulo. Ela observou que os pequenos reproduzem a fala do adulto e modelos de comportamento que re­forçam a dicotomia homem-mulher.
A escola, muitas vezes, também colabora para a per­petuação dessas crenças ao manter divisões entre os sexos nas brincadeiras e reforçar estereótipos, quando, por exemplo, uma professora elogia a doçura de uma aluna e a objetividade de um aluno ou justifica a agressividade como algo próprio dos garotos. Feliz­mente, as coisas estão começando a mudar. Em 1997, orientações para trabalhar com a questão da sexuali­dade foram incorporadas aos Parâmetros Curricula­res Nacionais (PCNs). Em 2009, foi a vez das Diretri-zes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil incluírem o tema. Hoje, quase todos os cursos de gra­duação em pedagogia têm disciplinas relacionadas a género. Como resultado, muitas instituições elabo­ram ações para reduzir a desigualdade e os precon­ceitos. É o caso da Escola Municipal Ernâni Silva Bruno, em São Paulo, e da Escola Henfil, em Belo Horizonte, em que meninos e meninas são estimula­dos a brincar do que quiserem e os professores rece­bem formação constante para poder intervir adequa­damente. Ja no Colégio Ofélia da Fonseca, também em São Paulo, todos participam juntos de aulas de dança, taek-won-do, capoeira e natação. "O ambiente escolar é um espaço importante de reflexão sobre a superação de desigualdades", diz Constantina. O pa­pel dos professores, assim como dos pais, é respeitar as escolhas das crianças e supervisioná-las sem cen­surar. Segundo a especialista, discussões sobre cores e brincadeiras sem distinção de género podem ser propostas a partir da educação infantil


Boneca é coisa de menino, Sim!
Na casa de Pedro, 3 anos, os carrinhos dividem espaço com as bonecas. O menino gosta de brincar de casinha e fazer comidinha. Oferecer esse tipo de brinquedo foi ideia de sua mãe. Carolina Faria Alvarenga, que pesquisa a relação entre género e educação. "Ele sempre ganhava carrinhos dos parentes; então, quis estimular outras brincadeiras." O mesmo vale para a irmã, Ana, 1 ano e 11 meses, que pode escolher uma diversidade de atividades, mas prefere as mais agitadas, como andar de velotrol e bicicleta com rodinhas. As duas crianças também brincam juntas, em atividades de "menino" e "menina". A princípio, a família estranhou essa postura, mas se acostumou e hoje já presenteia os dois seguindo os mesmos princípios de Carolina, que prefere brinquedos de madeira aos de plástico e bonecas de pano, com menos detalhes, por acreditar que eles estimulam a imaginação dos pequenos. Essa postura mais livre ainda causa questionamentos. Em um passeio com os pais pelo centro de Lavras (MG), onde moram, Pedro quis levar uma boneca. Duas outras crianças manifestaram espanto ao vê-lo na rua com o brinquedo. A avó de um deles tentou por panos quentes dizendo: "Ele está segurando aboneca da irmãzinha". Carolina interviu explicando que o dono era mesmo o garoto.


Toda criança tem direito ao faz de conta
No ano passado, quando se deparou com uma caixa cheia de roupas brilhantes, Rodrigo, hoje com 6 anos, quis experimentá-las. Eram fantasias de princesa que ficavam em um dos espaços do Centro Municipal de Educação Infantil Cid Passos, em Salvador. As crianças riram dele. Alguns s funcionários afirmaram que jamais admitiriam que seus filhos ou alunos usassem trajes semelhantes. Em vez de censurar o garoto, a professora Geiza Luiza
Ribeiro do Espírito Santo pôs a turma inteira para pensar. Ela propôs que cada um escolhesse uma fantasia da caixa e, em seguida, comentou que as pessoas têm gostos diferentes e isso deve ser respeitado. Por fim, todos fizeram um passeio pela escola -cada um com a fantasia que tinha escolhido. Mesmo depois da conversa, um grupo de colegas ainda zombava da situação. "Comentei com Rodrigo que algumas pessoas riram e disseram
que ele estava igual a uma menina e perguntei o que achava daquilo", conta Geiza. Ele respondeu que não se incomodava. A proposta da professora era fazer o garoto refletir. "É importante preparar a criança para um eventual bullying explicando que as pessoas podem não entender, mas que ela não deve se aborrecer", afirma a psicóloga Maria Helena. O episódio mobilizou a escola, mas, ao final, todos aprenderam que é preciso respeitar o diferente.
A divisão entre masculino e feminino que se vê na sociedade é reforçada pela publicidade e pelo mer­cado. Isso é evidente já nas embalagens dos brin­quedos e nas próprias lojas, que têm departamen­tos separados por sexo: a ala rosa reproduz o uni­verso doméstico, enquanto a azul traz objetos liga­dos à aventura e à virilidade. Mas a indústria de brinquedos está começando a repensar essa lógica, sobretudo pela influência dos próprios consumi­dores. "Algumas meninas gostam de super-heróis, outras gostam de princesas. Alguns meninos gos­tam de super-heróis, outros gostam de princesas... Então por que todas as meninas têm que comprar coisas cor-de-rosa e todos os meninos devem com­prar coisas de cores diferentes?", esbravejou a nor­teamericana Riley Maida, 4 anos, em um vídeo que viralizou na internet. A primeira a ouvir esse clamor foi a Top Toy, maior cadeia de brinquedos da Escandinávia. Ela criou um catálogo neutro, sem indicar brinquedos especificamente para ga­rotos ou garotas. Até a Mattel, gigante dessa in­dústria, reconhece que o mundo mudou e que, por isso, a diversão deve mudar também. "As crianças são muito boas em decidir por elas mesmas com qual brinquedo querem brincar. Um carrinho po­de facilmente estimular a imaginação de uma ga­rotinha, assim como um garoto pode se divertir com uma boneca. Na verdade, sabemos que exis­tem muitos meninos que gostam da Barbie e mui­tas meninas que preferem os carrinhos da Hot Wheels", disse o americano Michael Shore, vice--presidente da divisão Future Play da empresa, em entrevista à CLAUDIA. "O que importa é que to­dos sejam expostos a uma grande variedade de aprendizados e experiências", ele completa, en­grossando o coro dos especialistas.»


Ela é boa de bola
O coração de Gabriela, 11 anos, bate forte pelo futebol. Começou aos 6 anos, no Colégio Imaculada Conceição, no Rio de Janeiro, onde estuda até hoje - a unidade incentiva jogos cooperativos que envolvem meninos e meninas, mas viu crescer a participação das garotas no futebol no último ano, quando o time de Gabriela foi campeão. A mãe dela, a empresária Vanessa Santos Medeiros, 35 anos, também gostava de jogar bola na infância com os meninos, mas o fazia escondido, porque a mãe não deixava. Em 2014, Gabriela participou de um acampamento da escolinha do Flamengo - era uma das duas meninas em um grupo de 150 crianças. "No início, eles estranharam um pouco. Os garotos da minha própria equipe roubavam a bola de mim, o que me deixava bastante chateada", conta. No maior time do Brasil, elas são minoria: são 150 garotas matriculadas, contra 12 mil meninos. Para o clube, o principal entrave é o preconceito. Gabriela dá de ombros, contando com o apoio da mãe. "Sempre me preocupei em oferecer diversas possibilidades a ela. Não dá para se importar com tudo o que as pessoas falam", diz Vanessa. A menina virou uma espécie de garota-propaganda do Flamengo e sua foto estampa materiais do clube que incentivam a adesão feminina ao esporte. Apesar disso, tios e primos ainda questionam as escolhas da família: "Por que você não coloca Gabriela no balé?", perguntam. A mãe tem uma resposta na ponta da língua: "Assim como eu, ela gosta de atividades agitadas. E, hoje, as mulheres desempenham vários papéis".


AGOSTO 2015 | CLAUDIA 159